O SISTEMA DE VIGILÂNCIA GLOBAL ALMEJADO PELOS EUA E SUAS BIG TECHS

 

 

Nos últimos meses têm sido mais frequentes as "reclamações" de Elon Musk e Mark Zuckemberg contra legislações nacionais que regulamentam a ação das "Big Techs" como Facebook, Instagram, X (antigo Twitter) e outros, responsabilizando a plataforma pelos conteúdos publicados, e obrigando-as a criar ferramentas de controle das publicações. Eles apelam à "liberdade de expressão" nestas reclamações públicas, como se toda legislação sobre as redes sociais (como o Marco Civil da Internet) fosse um ato de censura.

A pior parte não são apenas as constantes reclamações destas grandes empresas em seguir as leis dos países onde se instalam, mas a intenção aberta de afrontar isso, e não por meio de diálogo com a sociedade civil dos países onde operam, mas por meio de pressão política por meio do Estado americano. Após a eleição de Trump, Zuckemberg afirmou: “Vamos trabalhar com o presidente Trump para resistir a governos ao redor do mundo que estão perseguindo empresas americanas e pressionando por mais censura” (Fonte: LINK)     

É curioso esse alinhamento de Zuckemberg com o discurso de Trump e suas ideias, já que ele havia sido um crítico do presidente na eleição anterior, inclusive tendo Trump suas contas suspensas nas plataformas da META. Afinal, por que a mudança de postura de Zuckemberg? O que querem de fato estas Big Techs? E o que quer Trump com isso?

Em primeiro lugar, no caso das Big Techs, estamos vendo uma forma aberta e escancarada de "Corporocracia", quando empresas buscam influenciar governos, ou governar indiretamente. Estas empresas buscam influenciar diretamente o governo dos EUA, tanto que Elon Musk ocupará cargo no governo, e ambos vêm se reunindo com Trump. Todo esse alinhamento busca tirar vantagens pessoais para eles e suas empresas, aliviando investigações dentro e fora dos Estados Unidos, e garantindo ainda mais poder a estas Big Techs.

E o que Trump ganha com isso? A livre atuação das Big Techs com o menor número de regulamentações possíveis possibilita a influência direta dos Estados Unidos na opinião pública mundial. Em documentários como "O Dilema das Redes" (disponível até então na Netflix) mostra a capacidade que essas Big Techs possuem de manipular nações inteiras em vários aspectos, que vão desde o consumo de produtos até a opinião política.

O Dilema das Redes” é tema de debate na ACRJ - ACRJ
Documentário "O Dilema das Redes" denuncia o poder das Big Techs.  

Além de influenciar processos políticos e eleitorais, como vimos em casos como "a Primavera Árabe", onde as redes sociais tiveram papel fundamental na promoção de revoltas civis, especialmente contra alguns governos desafetos dos Estados Unidos, sendo essas Big Techs utilizadas como armas de Guerra Híbrida para semear divisões e extremismos diversos para fomentar o caos, elas também são uma fonte de dados da população que nem mesmo George Orwell conseguiria imaginar em seus livros sobre distopias.

 

Nada melhor para o estabelecimento de um domínio global do que um sofisticado sistema de vigilância, que conhece até o pensamento das pessoas, e pode identificar facilmente seus inimigos, suas informações pessoas, preferências, pessoas de seu convívio, e sua localização. Ainda mais quando essas pessoas voluntariamente cadastram essas informações. Já imaginou durante a ditadura militar as pessoas indo voluntariamente em órgãos de repressão política fornecer todas informações pessoais e ainda acoplar dispositivos de rastreamento? E pior: dispositivos que leem mentes? Pois então, fazemos isso diariamente nestas Big Techs, que cada vez mais tendem a cumprir esse papel de braço do governo dos Estados Unidos para vigilância global e manipulação de mentes, de sociedades inteiras.

Todas estas empresas lidam com informações sensíveis, que são os dados de bilhões de cidadãos do mundo todo, e o que elas querem é "a liberdade" de utilizar isso em benefício dos interesses econômicos de grandes empresas e seus governos (que nada mais são que expressões de seus interesses). 

Não precisamos abolir as Big Techs e seu uso, mas sim lutar pela soberania nacional, para que estas empresas, como qualquer outra empresa de qualquer outro ramo, respeitem a legislação nacional, se adequem aos interesses  do povo onde se instalam, e não o contrário. O poder deve emanar do povo, não das Big Techs, nem de outras empresas que através delas projetam seu poder internacionalmente.


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